PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS

Blog webekm.com the ekm.

Download from BIGTheme.net free full premium templates

Você lembra daquela parábola do filho pródigo? Daquele filho que pediu sua herança ao pai ainda vivo e que desperdiçou de forma dissoluta, com farras e prazeres mundanos e que caiu literalmente na lama? Lembra do fim da história? Depois de perder o dinheiro, perdeu os amigos e foi cuidar de porcos e o patrão sequer deixava ele comer da lavagem que era dada aos animais. Conta Jesus que ele caiu em si, se recordou que na casa do seu pai os empregados comiam bem melhor e cheio de vergonha e temor foi pedir para voltar para casa como empregado do pai. Qual não foi sua surpresa quando o pai mandou matar um novilho e fazer uma grande festa porque seu filho tinha voltado (Lc 15, 11-24).

Jesus falava claramente do nosso Pai do céu, cheio de misericórdia. Misericórdia é uma palavra latina que combina os vocábulos “pobres” (miseris), “coração” (cor) e “dar” (dare), o que significa dar o coração sem reservas. Assim é o coração de Deus. O coração que se reflete no olhar amoroso de Jesus para Pedro depois de ter sido negado três vezes.

Mas, quer exemplo maior que Ele clamando pelo perdão para os seus carrascos: “Pai, perdoa-lhes, por que não sabem o que fazem” (Lc 23,34)? Pois bem, Jesus tem um coração de pobre pronto para nos doar seu amor. Um coração misericordioso. O perdão de Deus é o primeiro passo para a reconciliação conosco mesmos. Ele é gratuito, mas não incondicional. Para recebê-lo é preciso ter um coração arrependido. O perdão vem depois do arrependimento sincero. E, nele, o reencontro com o bálsamo que alivia as dores da alma, a angustia do viver e o peso dos nossos próprios erros. A cruz das nossas faltas feita do madeiro da nossa história fica mais fácil de carregar tendo Jesus, que carregou a sua primeiro, agora como nosso Cirineu a nos ajudar.

Entretanto, reconhecer a culpa e pedir perdão é apenas o primeiro passo, pois este quinto pedido do Pai-Nosso é acompanhado de uma condição: “assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Vale aqui lembrar outra parábola contada por Jesus, aquela do servo que devia dez mil talentos ao rei e para pagar a dívida seria vendido com escravo junto com  sua família. O mesmo que foi perdoado depois de se ajoelhar e suplicar misericórdia ao rei e mais prazo para pagar. O mesmo que, em ato contínuo ao sair do palácio real, encontra um amigo, cobra-lhe uma dívida ínfima e sem compaixão manda prendê-lo até pagar sua conta. Jesus conclui a parábola com uma sentença terrível: “Servo mau, eu te perdoei toda a dívida, por que me suplicaste. Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti? E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida. 'Assim, vos tratará meu Pai Celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração" (Mt 18, 23-35).

Perdoar é uma ordem, um mandamento para o discípulo de Cristo e uma bem-aventurança: “Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7).

O perdão não é apenas um conselho Evangélico, é uma ordem de Jesus. "Mas, quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também vosso pai, que está nos céus, vos perdoe os vosso pecados” (Mc 11, 25-26).

Mas, por que Jesus nos condiciona?

Porque ele sabe o mal terrível que o rancor causa para a nossa saúde física, moral e espiritual. O rancor escraviza, cerceia nossa liberdade, condiciona nossa ação, obnubila nosso pensamento, turva nossa razão, corrompe nossas intenções. O rancor é uma desgraça para quem o sente, ainda que a causa seja uma injustiça, uma ofensa imerecida.

Perdoar, não apenas é um ato profilático, uma cura, um remédio, mas é uma imitação radical de Jesus, que no ato supremo da entrega de Seu Espírito ao Pai pede perdão pelos que o massacravam. O perdão é um ato poderoso, não apenas nos cura o corpo e alma, mas nos iguala a Deus.

Por último, deixo a sentença do Senhor: "Sede misericordiosos como também vosso pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados" (Lc 6, 36 - 37).