NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO

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O sexto pedido do Pai-Nosso é para que Ele não nos deixe cair em tentação.  A tentação é um apetite por algo que necessariamente nos fará mal. Um desejo por algo que é mal em si, mas que pode até se travestir de bem. Quando pedimos que Deus nos livre da tentação, suplicamos que Ele nos mostre o caminho certo.

Quando o certo e o errado se ocultam nos fatos, quando é difícil discernir que decisão tomar, que caminho seguir, se pede que o desejo da solução fácil não turbe nossa consciência e nos leve para a escolha errada. Mas, em boa parte dos casos, o certo e o errado são auto-evidentes e nossa súplica é para que Deus nos dê forças de vencer nosso desejo que é provocado ou pela intenção errada ou pelo objeto errado.

Quando um diabético não resiste a um doce, um alcoólatra ao álcool, por exemplo, a sede da tentação está no próprio objeto. Quer dizer, a simples proximidade com o objeto mina as forças, enfraquece a resistência. Não se resiste ao objeto. É como se ele fosse maior que nós mesmos.  A tentação assim se apresenta como a cobiça da qual trata o décimo mandamento da Lei de Deus:  “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo”. A tentação, neste sentido, não está apenas no objeto que pertence a outrem, mas naquele que nos faz mal.

Por outro lado, a tentação também pode estar no desejo desordenado, no apetite ilícito, numa paixão caótica que pode nos levar a destruição. A corrupção dos meios corrompe os fins. A motivação injusta leva ao agir injusto e, assim, ao mal em si. Ao mal para nós e para os outros. A gula, a avareza, a luxúria, a inveja, a preguiça e o orgulho contaminam a intenção  no agir, nos desviando totalmente do bem e escravizando a pessoa e dominando sua vontade.

Nas duas hipóteses, tanto quando a tentação reside no objeto como quando ela reside na intenção, o desejo submete a vontade, os sentidos dominam a razão e o ser humano é desumanizado. Sua liberdade naufraga e como um animal ele age por instinto. Se o freio de um cavalo é o bridão que dentro de sua boca puxa sua cabeça para cima e controla seus instintos, o frio do ser humano é sua consciência moral. Quem perde o controle sobre seus instintos é um ser bestializado. Despersonalizado, pois a racionalidade é o traço exclusivamente humano, a diferença específica que o distingue de qualquer animal.

“Não nos deixeis cair em tentação” significa pedir “nos ajude a ser semelhantes a Ti, como quando nos criaste, já que é a capacidade de decidir, o livre arbítrio, que nos torna espelhos teus, ó Pai”.